quarta-feira, 7 de outubro de 2009

MST! Mas e agora?

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, ou simplesmente MST, começou a ganhar manchetes no início da década de 90 e, naquela época, havia muito romantismo nas abordagens — quase sempre positivas, aliás. Era a "luta pela terra", tal e coisa.

Mais ou menos na mesma época, a Rede Globo lançava telenovela em que uma sem-terra tinha caso amoroso com o protagonista. Era ainda a fase das abordagens românticas, não tínhamos notícia ou dimensão do que havia no MST e as discussões eram todas na base de uma dicotomia tacanha: fascistas x socialistas. Era quase impossível apoiar os inimigos da causa campesina, pois, 'do outro lado', estariam, muito claramente, os latifundiários.
Há alguns anos, o MST pratica atos que exigem novos sinônimos para a palavra "vandalismo". São crimes, mesmo. O caso de ontem, dos milhares de pés de laranja arrancados por um trator, é apenas um dentre vários. Mas, ainda assim, há uma espécie de tabu. Qualquer discussão sobre o tema AINDA recai naquela antiga dicotomia tosca. Parece que somos os fascistas desafiando aquela (falsa) ideia de um movimento romântico e (falsamente) legítimo.
Desculpem, mas toda e qualquer dose de legitimidade do MST vai pelo ralo quando eles partem para a ilegalidade. Não há qualquer reivindicação justa — e creio na justiça de alguns pleitos — que prospere mediante ações ilegais, violentas etc.
A ocupação de uma propriedade privada "improdutiva" já é discutível, por conta dos diversos sentidos que se dá para a improdutividade (às vezes, é uma terra, por exemplo, disputada em juízo e na qual não se possa plantar por conta disso). Mas quando invadem uma fazenda e arrasam uma plantação, tudo da forma mais violenta, não há mesmo o que dizer. Sobretudo quando tal prática não é exceção, mas regra.
E ir contra o MST, na forma como o movimento age atualmente, não é "ser contra a luta pela terra", mas ser contra a violência e a ilegalidade. Exatamente porque, ao cometer esse tipo de barbaridade, os líderes do movimento não apenas usam camponeses como massa de manobra, mas também a opinião pública — e parcela da imprensa —, manipulando-os com essa conversa mole de "estamos lutando por um pedaço de terra".
Recentemente, foi ENTERRADA a "CPI do MST". O Congresso teria instrumento para ir atrás das doações públicas, dos métodos, ouvir responsáveis e preparar um material importante para o Ministério Público, colaborando assim com as investigações já em curso. Mas tudo foi abortado por razões mais ou menos imagináveis.
Mas é isso. Tentem falar sobre o MST com aquele pessoal que se diz "politizado", mas no fundo é única e tão somente partidarizado. Simplesmente não haverá conversa. Após todo o relato de crimes e absurdos, financiamentos e práticas ilícitas, dirão: "é a luta pela terra" (como se alguém fosse contra esse direito, no sentido lato).
Talvez o tabu imposto sobre o tema decorra exatamente da falta de possibilidade de defesa. Porque, sob qualquer ponto de vista ou argumento, fica mesmo difícil dar razão às ilegalidades do MST. Nesse caso, a única saída é apelar para palavras de ordem e frases feitas.
Fonte: http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/



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