domingo, 15 de novembro de 2009

Luciano Pires, este também Fala Francamente!

Esta semana a coluna falando francamente traz um artigo de um dos maiores jornalistas e escritor Brasileiro, refiro-me ao grande amigo Luciano Pires que também assina uma coluna aqui no Jornal Panorama.
Nascido em Bauru, S.P., em 1956, formou-se em Comunicação em 1977 pela Universidade Mackenzie em São Paulo. Hoje é Diretor de Comunicação Corporativa da Dana, uma das maiores indústrias de autopeças do Brasil.
A experiência como jornalista e executivo de uma empresa global propiciou uma visão privilegiada da dinâmica do mundo dos negócios e do comportamento das pessoas que desempenham papéis de liderança.
Cartunista premiado por duas vezes no Salão de Humor de Piracicaba tornou-se colunista de várias revistas e sites. Lançou em 2002 seu terceiro livro, O MEU EVEREST, que descreve sua aventura de caminhar em abril de 2001 até o campo base do Everest, no Nepal. Diretor de Comunicação Corporativa da Dana Albarus S.A. Luciano Pires é Jornalista, Cartunista, Escritor e Conferencista Formado em Comunicação pela Universidade Mackenzie e alem disso possui Dezenas de cursos no Brasil e exterior. Casado desde 1982, tem dois filhos residente em São Paulo a 48 anos.
Em 2003 lançou BRASILEIROS POCOTÓ – Reflexões sobre a mediocridade que assola o Brasil, livro que teve grande repercussão, alcançando a venda de 10 mil exemplares em apenas 5 meses.
Seus artigos são remetidos semanalmente a mais de 10 mil assinantes de seu site www.lucianopires.com.br , além de serem lidos em programas de rádio.
Desde 1996, Luciano vem ministrando palestras sobre temas variados.
Está semana trago para meus amigos e inimigos leitores um artigo deste grande jornalista que mostra bem a realidade de nosso pais este artigo chama-se “ A Maquina Do Tempo”
Depois que você ler este artigo faça a sua reflexão pessoal e mande para o meu e-mail a sua opinião a respeito deste artigo


A MAQUINA DO TEMPO



Um dos filmes que mais causaram impacto em minha vida foi “Em algum lugar no passado”, com Christopher Reeve, uma história de amor lindíssima, em que um escritor apaixona-se pela foto de uma atriz dos anos vinte. Uma paixão tão avassaladora que ele acha uma forma de voltar ao passado para encontrar a moça e viver uma história de amor emocionante. O filme é lindo, a trilha sonora é fabulosa e o tema, instigante: viajar no tempo. Quando Albert Einstein anunciou a sua Teoria da Relatividade, em 1905, viajar no tempo – pelo menos em teoria – deixou de ser algo impossível. Pois outro dia observei uma foto de um grupo de amigos na reunião de comemoração de 30 anos de minha formatura no colégio. Olhei aqueles senhores de cabelos brancos, gordos e carecas e imaginei o que aconteceria se a foto pudesse ser vista por eles quando tinham 16 anos. Já pensou? Você poder ir até o futuro e olhar onde estará, que rumo sua vida tomou?

Imaginei então uma situação interessante. Alguém inventa uma máquina do tempo. E vai testar. Escolhe uma data aleatória – 1989, por exemplo – e aperta um botão. A máquina traz para o presente ninguém menos que Luis Inácio Lula da Silva. Aquele de vinte anos atrás. Lula chega meio zonzo:

- O que é isso, companheiro?

Sem entender o que acontece, Lula é recebido com carinho, toma uma água, senta-se num sofá e recupera o fôlego.

- Onde eu tô?

- No futuro, Presidente. Colocamos em prática a Teoria da Relatividade!

- Futuro? Logo agora que vou ganhar do Collor, pô! Me manda de volta pro passado! Zé Dirceu! Zé? Cadê o Zé?

- Calma, Lula. Aproveite para dar uma olhada no seu futuro. Você é o presidente da República!

- Eu ganhei?

- Não daquela vez. Mas ganhou em 2002. E foi reeleito em 2006!

- Reeleito? Eu? Deixa eu ver, deixa eu ver!!!

E então Lula senta-se diante de um televisor de plasma. Maravilhado, assiste a um documentário sobre os últimos 20 anos do Brasil. Um sorriso escapa quando a eleição de 2002 é apresentada.

- Pô, fiquei bonito! Ué. Aquela ali abraçada comigo não é a Marta Suplicy?

- Não, Presidente, é a Marisa Letícia.

- Olha! Eu e o Papa! E aquele ali, quem é?

- É George Bush, o Presidente dos Estados Unidos!

- Arriégua! Êpa! Mas aquele ali abraçado comigo não é o Sarney? Com a Roseana? E o que é que o Collor tá fazendo abraçado comigo? O que é isso? Tá de sacanagem?

- Não, presidente. Esse é o futuro!

- AAAAhhhhhh! Olha lá o Quércia me abraçando! O Jader Barbalho! Cadê o Zé Dirceu, o Luiz Dulce?

- O senhor cortou relações com eles.

- Meus amigos? Me separei deles e fiquei amigo do Sarney?

- Pois é...

- E aqueles ali? Não são banqueiros? Com aqueles sorrisos pra mim?

- Estão agradecendo, Presidente. Os bancos nunca tiveram um resultado tão bom como em seu governo.

- Bancos? Os bancos? Você tá de sacanagem. Sacanagem!

- Calma, Presidente. O povo está gostando, reelegeram o senhor com mais de cinqüenta milhões de votos!

- Mas não pode! Cadê os proletários? Só tô vendo nego da elite ali. Olha o Vicentinho de gravata! E o Jacques Wagner também! Mas que merda é essa?

- É o futuro, Presidente.

- E o Walter Mercado? Tá fazendo o quê ali?

- Aquela é a Marta Suplicy, Presidente.

- Ah, não. Não quero! Não quero! Não quero aquele meu terninho. Não quero aquele cabelinho. Não quero aquela barbinha. Desliga isso aí!

- Mas Presidente, esse é o futuro. O senhor vai conseguir tudo aquilo que queria.

- Não e não. Essa tal de teoria da relatividade é um perigo.

- Perigo?!

- É. As amizades ficam relativas. A moral fica relativa. As convicções ficam relativas. Tudo fica relativo.

- Bem-vindo a 2009, Presidente!!!

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