domingo, 19 de junho de 2011

Você tem algum problema?Então marche!

Alguma coisa o incomoda, leitor? O vizinho do lado, o frio, a distribuição desigual da beleza, da riqueza, das mulheres, dos homens, da felicidade? Marche! Vá para a rua! Incomode os outros com o que o faz infeliz. Deixe claro que é culpa é “deles”. Mas “deles” quem? Não interessa! “Eles” sempre são culpados.
 Em várias cidades do país, aconteceu hoje a chamada “Marcha da Liberdade”, organizada principalmente pelos maconheiros que estão convictos de que o trânsito deve parar porque eles querem queimar mato.
 O barato, antes, era fumar escondido da polícia; hoje, eles pedem proteção uniformizada para defender o que consideram um “direito”. Para os maconheiros, a erva integra o capítulo dos direitos naturais do homem, entendem?
 Pois bem! Em São Paulo, a marcha reuniu, estima a polícia, duas mil pessoas. É um troço mixuruca quando se consideram os 11 milhões de habitantes da cidade e as categorias envolvidas no ato: Marcha da Maconha SP, Coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR), o circuito Fora do Eixo, Movimento Passe Livre, Organização Popular Aymberê, Coletivo Intervozes, Centros Acadêmicos, Tribunal Popular, movimento LGBT e ciclistas.No Rio, a manifestação não reuniu mais do que mil pessoas.
Em Brasília, aconteceu uma coisa engraçada ou óbvia: a Marcha da Liberdade, cuja concentração estava marcada para o Parque da Cidade, reuniu meia-dúzia de gatos pingados. Havia mais gente da Marcha das Vadias, onde compareceram também muitos vadios. Vadios em Brasília??? Às 15h30, todos se juntaram na vadiagem na praça da torre. Erraram de lugar, acho eu.
O número ridículo de pessoas que comparecem a essas manifestações dá conta da popularidade da pauta dessa gente, que só é influente na imprensa e, como se sabe agora, no STF. Daqui a pouco, nem os maconheiros vão se interessar por esses eventos. Que graça tem essa rebeldia protegida pela polícia? Quanto a vadias e vadios, convenham que os pelados da UnB já foram bem mais longe na… ousadia intelectual!
Bando de babacas!
Em matéria de pornografia e falta de decoro, a algumas centenas de metros dali, em certa praça, é que se pratica a verdadeira sacanagem. Eis a geração sucrilho, sustentada até os 35 anos pelos pais, que nem fumam maconha nem ficam pelados em público porque têm de trabalhar para sustentar vadios e vadias.
Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Enquanto isso, em Banânia...

A escolha de Gleisi Hoffmann permite a presidente Dilma controlar de fato o coração do seu governo. Antonio Palocci era “ministro de Lula”. Mas ainda assim, e a despeito desse primeiro movimento insurrecional da rainha muda, o terceiro mandato de Lula começou no quinto mês do governo Rousseff. 
Na última semana de maio, pronto para ensinar à criatura como se resolve uma crise, o criador baixou em Brasília já acusando a oposição em geral e José Serra em particular de terem inventado o milagre da multiplicação do patrimônio. No mesmo dia, depois de conferir ao chefe da Casa Civil o título de Pelé da Economia, ordenou ao PT e pediu ao PMDB que defendessem Antonio Palocci e fossem pacientes com a presidente. 
De nada adiantou. Os fatos tornaram impossível a manutenção do ministro. Já vai tarde. O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, advogado de dez em cada dez petistas enrolados em crimes, orientou a tardia entrevista de Antonio Palocci. Vale perguntar: quem pagará pelos honorários do douto causídico? A viúva?A decisão de manter o CRIMINOSO Battisti no Brasil avisa que a impunidade institucionalizada em nosso País também vale para criminosos estrangeiros.A decisão da Suprema Corte nada tem de surpreendente. Mas ainda assim, é um desfecho vergonhoso. O Supremo Tribunal Federal está com a espinha alquebrada. A continuar assim, em breve estará de quatro.
 Fonte: Notas Impertinentes http://oreacionario2011.blogspot.com/
Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas." 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O QUE HÁ DE NOVIDADE NO DISCURSO DA PROFESSORA AMANDA GURGEL?

Impressiona-me como uma verdade conhecida por todos pode repercutir assombrosamente por puro interesse publicitário-comercial. É o que ocorre com o fenômeno Amanda Gurgel, uma distinta professora do Rio Grande do Norte, nordestina forte e corajosa, que, revoltada com as agruras de lidar com a educação no Brasil, resolveu dizer na cara das autoridades aquilo que elas já estão cansadas de saber.Digo que estão cansadas de saber porque, há muito, defendo a tese de que o estado de miséria que vivemos em termos de saúde, educação e segurança pública é situação deliberada pela classe política. Trata-se de um fenômeno cíclico sustentador da profissionalização da política: uma população não educada e desinformada, carente de saúde nas suas mais básicas necessidades e absolutamente entregue ao fenômeno do crime, que elege políticos mal intencionados, que, por sua vez, se encarregam de perpetuar a desestrutura social.

Com um eleitorado desses, qualquer falastrão, seja ele desses palhaços que apresentam programas policialescos, seja um cantador de forró de péssimo gosto, seja um comediante analfabeto, seja um jogador de futebol de carreira falida, para ficar apenas nos folclóricos, assume a missão de conduzir os destinos públicos. Com votos dessa qualidade, fica fácil para os políticos profissionais, capazes de multiplicar seu patrimônio assustadoramente em poucos meses, usarem seu poder, seu dinheiro, suas promessas e suas ameaças para se perpetuarem e manterem tudo "como antes na terra de Abrantes". O que o discurso de Amanda Gurgel tem de corajoso e de verdadeiro, tem de conhecido. Explodiu nas redes sociais e as emissoras de televisão não perderam a oportunidade de captarem a audiência. A professora emblemática figurou nos principais programas de televisão não pela importância de seu discurso... Ela agiu como um chamariz para novos contratos publicitários, para mais pontos no Ibope. E só!



Não se trata de pessimismo desmotivado ou de relegar a revolta da professora ao descrédito. Assino embaixo de todo o discurso da educadora potiguar. Mas a pergunta é: o que há de novidade no discurso de Amanda Gurgel? O que, daquilo que foi brilhantemente esfregado na cara das autoridades, elas ou nós mesmos não sabíamos? Eu, que estudei boa parte da minha vida em escola pública e perdi ano letivo por greve, conheço tal realidade faz tempo. Posso estar errado, mas não acredito: Amanda Gurgel é um fenômeno que, em tempos de informação altamente perecível, se desfará sem que seu verdadeiro objetivo se cumpra. Porque antes de Gurgel muitos outros já denunciaram tal descaso, muitos já morreram em protestos, muitos já sofreram com a deliberada ausência de vontade política.

O pior é que, no fundo, todos nós sabemos o quão errado é o sistema que mantém tudo isso. Mas, na hora de agir para mudar, cada um pensa individualmente, não lembrando das mazelas denunciadas por Amanda Gurgel. Presos à ambição pessoal ou, pior, ao ciclo da dependência, cada um pensa em seu emprego, em receber sua promessa, em manter seu privilégio... Ou em agradecer o remédio, a consulta, o óculos, a cesta básica. Na hora de gritar, comportamo-nos como uma turba, sem objetivo e sem comando, pensando com a boca, fazendo de Gurgel nossa voz, elevada ao Trending Topics do Twitter, a ponto de ela ocupar espaço nobre em rede nacional. Mas, na hora de agir efetivamente, comportamo-nos como umas raposas, pensando com o umbigo, afastando de nós a responsabilidade, ou apenas achando bonito o que disse Amanda Gurgel, mas sem um pingo de coragem para sacrificar absolutamente nada para fazer de seu discurso uma arma de verdade contra essa herança política maldita que, como parasita, faz da sociedade seu agente hospedeiro.

A solução - ou a salvação do Brasil, no dizer da professora - vem, sim, da educação. É a consciência de "Amandas Gurgel", estampada a giz no quadro da sala de aula precária que todos os muitos professores têm de enfrentar, a única arma capaz de alterar essa situação, interrompendo o ciclo. O problema, a meu sentir, é fazer com que a denúncia que hoje todos encampam, virtualmente, seja assumida por cada um, na vida real. É fazer de Amanda Gurgel mais que uma verdade virtual.
Fonte: Por Silvio Teles