quinta-feira, 8 de setembro de 2011

CORAJOSA RESISTÊNCIA

"50 anos da Campanha da Legalidade"
A Câmara dos Deputados homenageou ontem, em sessão solene, os 50 anos da Campanha da Legalidade e seu principal líder, o ex-governador Leonel Brizola (PDT), reverenciados com discursos de 11 deputados federais e um senador: Cristovam Buarque (PDT-DF). Ao abrir os trabalhos, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), destacou “a merecida homenagem proposta pelos deputados Vieira da Cunha (PDT-RS), Paulo Pimenta (PT-RS) e Giovanni Queiroz (PDT-PA). Para Maia, “poucas vezes, como em 1961, a Nação se manifestou de forma tão clara em defesa da continuidade do processo democrático, representado pelo cumprimento da Constituição, respeito à vontade popular e garantia de legitimidade dos mandatos”.

Período de ebulição

O Brasil vivia, na passagem dos anos 1950 para 1960 um período de ebulição, que não se restringia a um ou outro setor, envolvia a política, a cultura, o esporte, e mexia com os sonhos de todos. Eram os tempos da bossa nova; de títulos internacionais no esporte; da inauguração de Brasília; do fim da era JK e do começo de um governo de estilo diferente, o de Jânio Quadros, eleito com expressiva votação. Entretanto, mais surpreendente que as novidades da época foi a renúncia de Jânio. Ninguém estava preparado para aquele gesto. Jânio não recuou e foi o Brasil que se viu, logo a seguir, na iminência de um retrocesso. Contrariando a Constituição, os ministros militares decidiram vetar a posse do sucessor legítimo, João Goulart.

Uma voz discordante

Em meio ao espanto, explica Marco Maia, “surgiu no Rio Grande do Sul uma voz discordante, a do jovem governador Leonel Brizola. Disposto a defender a Legalidade, ele montou uma rede de rádio para mobilizar inicialmente os gaúchos, depois todos os brasileiros; fortificou a sede do governo e declarou que morreria se necessário, para fazer cumprir o texto constitucional”. Outro “valoroso governador”, o de Goiás, Mauro Borges, juntou-se à Campanha da Legalidade sem temer uma eventual investida dos fortes contingentes sediados em Brasília, que poderiam calá-lo a qualquer momento. Chegou-se ao absurdo de ordenar o bombardeio do Palácio Piratini, em Porto Alegre, e a invasão do Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, para derrotar, pelas armas, os defensores da democracia.


A reação dos sargentos

O presidente da Câmara, Marco Maia, que é morador de Canoas, onde fica a Base Aérea, disse que “desde pequeno ouve na cidade as histórias contadas com muito orgulho, de que os sargentos da Aeronáutica impediram os ataques, esvaziando os pneus dos caças e retirando as espoletas das bombas, assim evitando que o momento não se tornasse um derramamento de sangue”. “Infelizmente, tanto a ascendente liderança brizolista quanto a nítida vontade democrática do nosso povo seriam golpeadas, poucos anos mais tarde, pelo regime de exceção”, lamentou o parlamentar. “O tempo encarregou-se, contudo, de devolver o País ao Estado de Direito, e de fazer justiça a Brizola”. 
Visão nacional

Na sessão comemorativa dos 50 anos da Legalidade, em homenagem a Leonel Brizola, deputados reclamaram a ausência do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), “político inventado por Brizola”, e dos três senadores gaúchos: Pedro Simon (PMDB), Paulo Paim (PT) e Ana Amélia Lemos (PP). Parlamentares de 11 partidos se manifestaram.

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